Olá,
Para aqueles que ainda não sabem, perdi meu pai nesse último dia 21/08.
Ele descobriu que estava com câncer no pulmão, há um mês, exatamente dia 22/07, data em que ficou internado.
Foi um mês muito difícil para mim e todos da minha família. Só para situar, eu tenho mais dois irmãos (uma mulher e um homem).
Passamos o mês inteiro no hospital. Eu tirei, inclusive, minhas férias para poder ficar com o meu pai no hospital e revezar entre os meus irmãos e minha mãe. Melhor decisão que tomei. Vou agradecer até o fim dos meus dias por ter feito desta forma.
Tudo foi muito repentino e rápido. Mal tivemos tempo de assimilar as coisas. Para nós, ruim, não só pelo choque, mas pelo pouco tempo com ele (um mês) e pela perda. Para ele, meu pai, uma benção. Afinal, acredito que se ele não ficou sofrendo muito tempo com essa doença, é porque tinha merecimento. E como essa doença castiga!!!
Por pior que fosse, consegui ter ótimos momentos com ele e para mim, isso foi muito importante (essencial). É, poder estar ao lado dele, nessa fase tão difícil, foi essencial na minha vida. Ele viu e sentiu como é amado e importante para nós (embora soubesse). Praticamente paramos a vida, só para estar com ele (eu, meus irmãos e minha mãe).
Meu pai era um homem de poucas palavras, mas tive ótimas conversas com ele esses últimos dias (ainda que resumidas, bem significativas). Sem contar à cumplicidade que se formou.
Na doença, enxergamos a fragilidade humana, não só de quem está doente, mas de quem ama o doente. Dividimos muitas coisas (nós e ele) nesse último mês, muitas delas tristes e sofridas. Porém, muitas coisas boas. Tivemos um excelente dia dos pais. Muito especial.
Exerci muito a humildade e a dedicação, não só pela situação do meu pai, mas porque vi muitas coisas, muitos doentes, muitos morrendo, famílias sofrendo. Só que em meio a tudo isso, vi muita união de todos. Fizemos amizades com os parentes de outros doentes, sorrimos juntos, choramos juntos, compartilhamos a dor, nós com eles e eles conosco.
Não tem sofrimento maior do que saber que uma pessoa que amamos está morrendo, principalmente, quando ela, no seu íntimo, também sabe disso. Não há palavras que cabem e que consolam. Não há o que dizer, só o que fazer, isto é, estar ao lado, dando força. Aliás, a única coisa que cabe dizer, na minha opinião é, eu te amo e isso eu disse infinitas vezes.
Superar a dor? Eu acredito que não. Penso que apenas arrumamos forma de continuar a vida, em que pese à existência da dor.
O que consola? As lembranças boas, os ensinamentos bons, que ele não sofreu muito e que com certeza está em um lugar infinitamente melhor, onde não existe doença, dor e sofrimento.
Em meio a tudo isso, eu ainda descobri que estou grávida. Fiquei sabendo disso no dia 20/08 e meu pai faleceu dia 21/08. É, muitooooo complicado, mas isso é uma outra história.
Um conselho? Bom, por tudo que vi, por todas as leituras a respeito e pelo que conversei com médicos, o câncer, hoje em dia, não é mais condenação de morte. Muito pelo contrário. Porém, exames de rotina (periodicamente) são fundamentais. O câncer descoberto no estágio inicial é totalmente passível de cura e tratamento.
De fato, a morte e a vida, ambas, são misteriosas.
Beijos e até o próximo post...







