quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sentada no Divã – Meu primeiro terapeuta.

Olá,

Como prometido, hoje vou dar seqüência ao quadro – SENTADA NO DIVÃ.



Nesse quadro, eu pretendo contar todas as minhas experiências ligadas à terapia, o que mudou na minha vida, algumas conversas e análises que tive com os terapeutas, ao longo desses 07(sete) anos (não consecutivos) de terapia.

Assim, vamos continuar o capítulo EM BUSCA DO TERAPEUTA IDEAL. Lembra que eu disse que já passei por 04(quatro) profissionais? Pois bem, vamos ao primeiro.

Ah, só para situar, vocês se recordam que eu disse que o profissional escolhido depende de uma série de coisas e que, principalmente, tem que existir afinidade entre você e o profissional? Então...

Bom, meu primeiro terapeuta surgiu em um momento de caos na minha vida.

Quando eu tinha 18(dezoito) anos (tinha acabado de fazer 18), eu conheci um cara de 34(trinta e quatro) anos e nos apaixonamos.

Tivemos um relacionamento de 03(três) anos, aproximadamente.

Foi um relacionamento verdadeiro e intenso, mas super conturbado, haja vista a diferença de 16(dezesseis) anos que havia entre nós e outras coisinhas a mais.

Caso fosse hoje, eu com 35(trinta e cinco) anos e ele com 51(cinqüenta e um), acredito que seria tudo diferente, pois eu estou mais madura (só um pouquinho) e já vivi um bocadinho em relação ao que havia vivido até os 18(dezoito) anos.

Vale dizer que ele também estaria mais maduro e, portanto, mais seguro.

É bem verdade que hoje só existe uma amizade entre nós, pois o nosso momento passou. Ficou o carinho, a amizade e o respeito.

Ele foi meu primeiro “namorado”.



Nem preciso dizer que tive um relacionamento escondido, pois meu pai jamais aceitaria essa diferença de idade.

Sem contar que ele já tinha sido casado e tinha um filho de 16(dezesseis) anos, quando eu tinha 18(dezoito). Sentiram o drama?

Meu pai jamais aceitaria um homem mais velho, separado e com filho, sendo que na época, eu pensava que não podia contrariar meu pai em nada, que não podia fazer nada que ele não aprovasse. Na época, não fazia nada para causar desgosto para ele, sob a ótica dele (fazia escondido, verdade seja dita).

Hoje, não penso mais assim, depois de muita, muita terapia. Eu não vivia a minha vida, vivia a vida que meu pai queria que eu vivesse.

Só que mesmo assim, graças ao meu espírito rebelde, anarquista e revolucionário (eles se alternam, inclusive entre o conservador e o tradicional), eu teria bancado sim esse relacionamento, mesmo sabendo de todos os problemas que causaria.

Porém, a outra pessoa não. Não vou julgar, pois cada um sabe o que vai ao coração, seus medos, o que levou, enfim, ele terminar de mim.

Terminou dizendo: Você é muito nova, vai viver muita coisa, vai deixar de me amar, entrou agora na faculdade de direito, sua cabeça vai mudar muito, você tem praticamente a idade do meu filho, eu vou envelhecer e você vai me trocar por outro, você pode até se apaixonar pelo meu filho, já que tem a mesma idade, praticamente e por aí foi.

Tirando a paranóia de me apaixonar pelo filho e que eu o trocaria por outro quando envelhecesse, o resto ele tinha razão.

Mudei demais, precisei mudar. Vivi muita coisa, não tanto quando gostaria ainda. Precisava viver algumas coisas que descobri muito mais tarde. Um exemplo é morar sozinha. Sempre tive dentro de mim que eu precisava dessa experiência antes de me relacionar (casar, sei lá), com alguém. Isto porque, eu era uma pessoa que pouquíssimo conhecia de mim. Vivia sob a ótica do meu pai e da minha mãe. Não sabia separar o que era meu e o que era deles. Agora, morando sozinha, há quatro anos, conheci um pouquinho de mim. Vejam, meus pais são ótimos e foram ótimos. Só precisei seguir paralelamente.



De qualquer forma, eu amava demais a pessoa e quando ele terminou, eu não tinha maturidade. Achei que ele terminou por falta de amor por mim, pois pensava: Se ele me amasse enfrentaria meus pais, a sociedade e ele mesmo. Hoje sei que não é bem assim.

Sem contar que coloquei, na época, na minha cabeça, que ele tinha terminado porque o problema estava comigo, por ele achar que eu não estava a altura dele, um cara mais velho, mais experiente, mais vivido.

Depois de 12(doze) anos sem vê-lo e sem contato nenhum com ele, em janeiro de 2009, reencontrei a pessoa e saímos para tomar uma cerveja.

Até esse dia, eu achava que já tinha resolvido a questão de me sentir largada e preterida. Porém, quando me vi na frente dele, depois de 12(doze) anos, eu chorava como uma criança e, só então, disse tudo que passei anos pensando sobre mim, por conta do término dele.

Ele disse que não era nada disso e que me ama até hoje e que hoje ele correria o risco de ter vivido o relacionamento. Assumiria. Havia arrependimento.

Só que passou. Ficou no passado. Hoje sou bem resolvida quando a isso. Acredito que ele também se resolverá, um dia. Em 2009, eu senti que ele meio que se culpava. Espero que ele tenha superado, pois é horrível sentir culpa e arrependimento.

Para os curiosos, nada rolou entre nós, nem um selinho e, depois disso, não encontrei mais. Falei algumas vezes mais por telefone e MSN (tudo na amizade). Não ligo de ter amizade (amizade mesmo) com ele, mas acho que eu faço mau para ele, pois ele chorou algumas vezes.

Eu quero que ele seja feliz, tenho um carinho enorme e um respeito maior ainda por ele, por tudo que tivemos que foi ótimo e pela pessoa maravilhosa que ele é.

Bom e foi esse sentimento de rejeição e o fato de amar alguém e ter que deixar de amar que me levou ao primeiro terapeuta.

Detalhe, o terapeuta foi indicação dele. Primeiro erro.



Vamos ao terapeuta. Ele era um amor de pessoa, bonzinho, era um japonês.

Só que, em minha opinião, pouquíssimo acrescentou na minha vida. Não fez muita diferença. Sem contar que eu não me sentia a vontade para contar as coisas. Não por ele ter sido indicação de quem era, mas afinidade mesmo.

A forma que ele conduzia a terapia eu não gostava e não surtia resultados em mim. Porque? Vai saber. Para outras pessoas ele pode ter sido o máximo, comigo não rolou uma sinergia, uma troca e um entendimento.

Isso principalmente por eu ser uma pessoa de opinião forte, muito questionadora, muito transparente e com certa cultura (pouca, bem pouca, perto do que eu acho ideal e gostaria). O fato é que fiz também 03(três) anos de psicologia no colegial, eu tinha essa matéria na grade, já que fiz humanas. Tinha uma vaga noção da coisa.

Quando eu indagava algo ou questionava alguns “porquês” e alguns comentários dele, ele escorregava nos argumentos e mostrava uma insegurança absurda para mim.

E, por não sentir firmeza nele como profissional (comigo, claro e sob a minha ótica), por não rolar uma afinidade, fiz só 06(seis) meses de terapia e fiquei um bocado desacreditada quanto ao processo (terapia) e seus efetivos resultados, o que me levou a retornar em outro profissional só em 2001 (segunda terapeuta).

Bom, por hora é isso que tinha para compartilhar.

Beijos e até o próximo post...

  

8 comentários:

  1. Conheço essa história....
    Beijitos

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  2. Oi ... gostei de ler essa sua experiencia ... bjs

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  3. Ro,
    Gostei do seu comentário no meu blog, você tem total razão...é uma busca diária.
    Quanto a essa sua experiência, muito bacana dividir assim, com certeza muita gente vai se identificar.
    Beijo grande!!!

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  4. Oi Rê, lindona...

    Conhece muito mais do que está aí...acompanhou de perto e compartilhou muito dos meus momentos complicados quando eu estava vivenciando isso.

    Feliz 2011 linda...

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  5. Oi Tati,

    o sentada no divã ainda tem muita coisa pra dividir...

    Faz parte do que escrevi no seu blog...se conhecer é constante e eterno...e o que eu puder compartilhar a respeito da minha busca, visando quem sabe facilitar ou dar uma luz para alguém, é o que vale.

    O objetivo desse quadro é tentar compartilhar a minha terapia com quem não faz terapia também.

    Beijos

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  6. Caro anônimo(a),

    muitas experiências ainda estão por vir no quadro SENTADA NO DIVÃ.

    Que bom que gostou.

    Bj

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  7. É sempre assim (pelo menos comigo), a gente chora, grita, esperneia quando algo não sai do jeito que queríamos mas depois o tempo passa, olhamos pra trás e vemos que tudo aconteceu da forma que tinha que acontecer e acaba sendo benefíco para nossas vidas.
    Adorei ler essa sua experiência!Bjss

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  8. Oi Solange,

    É verdade. Aconteceu tudo como deveria. Também acredito nisso.

    Beijos.

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